1º post - Reflexões sobre Biodiversidade: conceitos e valores
Reflexões sobre Biodiversidade: conceitos e valores
A primeira publicação do Blogue Ver o Verde baseia-se nas reflexões iniciais sobre Biodiversidade e suas implicações no mundo tal como conhecemos. Uma breve pesquisa na plataforma digital "Google" é capaz de definir resumidamente o conceito de Biodiversidade como a coexistência de diferentes espécies de seres vivos em um determinado espaço de tempo. Entretanto, a proposta desse texto é ir além do conceito genérico ao tratar o tema da Biodiversidade de modo científico e crítico, tendo como referências teóricas a bibliografia recomendada em "Tópico 1 | Subtema: Biodiversidade. Conceitos e valores".
Contudo, diante de um vasto campo de análise e conceptualização do que é biodiversidade, consistirá no texto alguns pressupostos julgados importantes e básicos para o entendimento inicial do tema, utilizando-se de um exemplo de comunidade biológica (bioma) exclusivamente brasileiro de nome “Caatinga” para melhor compreensão do assunto. Araújo, M. (1998) em nota introdutória destaca o espectro da abrangência do conceito de Biodiversidade atravessado por diversas correntes do pensamento e interpretações, mantendo a dificuldade de mensurar ou operacionalizar uma definição em consenso. O autor traz a contribuição de pensadores sobre o tema e destaca a presença do princípio “pseudocognitivo” trabalhado por (Williams, 1993) ao assumir que o conceito de biodiversidade é partilhado de maneira intuitiva. Percebida pelas discussões da geografia, biologia, ciências da natureza entre outros campos, o conceito de biodiversidade se torna cada vez mais amplo e de difícil tradução.
De acordo com Millennium Ecosystems Assessment (2005), biodiversidade se refere a diversidade em múltiplas escalas de organização biológica. Ou seja, a diferença entre genes, populações, espécies, e ecossistemas considerada também em escala geográfica, seja local, regional ou global. Nesse mesmo texto, são apresentadas outras definições complementares, tais como:
Biodiversity is the variability among living organisms from all sources, including terrestrial, marine, and other aquatic ecosystems and the ecological complexes of which they are part; this includes diversity within species, between species, and of ecosystems. ■ Biodiversity forms the foundation of the vast array of ecosystem services that critically contribute to human well-being. ■ Biodiversity is important in human-managed as well as natural ecosystems. ■ Decisions humans make that influence biodiversity affect the well-being of themselves and others. (Millennium Ecosystems Assessment, 2005, p. 18)
Dessa forma, na tradução das palavras para a língua portuguesa, pode-se apresentar o conceito de biodiversidade de acordo com a referido texto como a variabilidade entre organismos vivos de todas as fontes, incluindo os ecossistemas terrestres, marinhos, outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte, incluindo diversidade dentro das espécies; entre espécies e de ecossistemas. Nesse sentido, a biodiversidade é a base da vasta gama de serviços ecossistêmicos que contribuem criticamente para o bem-estar humano, sendo importante para a permanecia dos seres humanos e outras espécies.
A riqueza de um sistema ecológico e natural está justamente na variedade de espécies, tornando-as valiosas e principalmente passíveis de mutações para sobrevivência na medida em que ocorrem mudanças nos ecossistemas. Entretanto, Millennium Ecosystems Assessment, (2005) aborda o conceito de “homogeneização da biodiversidade”, que em linhas breves, apresenta a discussão sobre a difusão de espécies invasoras por todo o mundo representando uma perda da biodiversidade global ao inserir, espontaneamente ou não, espécies comuns de outros ecossistemas em ambientes diferentes, como por exemplo a erva-daninha, nome popularmente conhecido para designar plantas exóticas ou não naturais de determinando meio ambiente natural. .
Foi dado como exemplo no texto em questão, a introdução de uma planta invasora em um continente como a África. A consequência é o aumento da diversidade de espécies, existindo assim, mais espécies presentes nos ecossistemas. Porém, ao mesmo tempo que isso ocorre, a tendência é a diminuição da diversidade global dos ecossistemas, uma vez que muitas das espécies presentes na África se tornarão mais similares às outras em diferentes locais do planeta.
Nesse sentido, mudanças nos ecossistemas, com alteração de espécies e consequentemente um certo desequilibro inicial da balança ecológica, trazem influências para o bem-estar dos seres humanos no habitat. A homogeneização também possui caráter econômico e em certa medida produtivo a nível global, caracterizado por exemplo pela agricultura convencional, pescaria e reflorestamento em prol de um desenvolvimento de nação.
A biodiversidade não é um fenômeno passível de ser estático ou totalmente controlado. É importante destacar que a vida terrestre tem um histórico largo e complexo, desde sua formação até sua eterna transformação. De acordo com Wilson (1988) o conceito biológico de espécie foi um avanço teórico para a biologia moderna, conceitualmente caracterizada como uma população ou uma série de populações em que o fluxo gênico é livre e ocorre em condições naturais. Isso significa que, para algumas espécies não hibridas, “todos os indivíduos fisiologicamente competentes, em um determinado momento, são capazes de se reproduzir com todos os outros indivíduos do sexo oposto pertencentes. ” (Wilson, 1988, p. 5).
Diante de um espaço de tempo e de uma determinada geografia, as diferentes espécies passam por processos evolutivos. A variedade de espécies nos ecossistemas e cruzamentos de genes tornam ambientes altamente biodiversos. Tal diversidade de acordo com Wilson (1988) é bem mantida, apesar de episódios de extinção a cada dezena de milhões de anos. Há aproximadamente três milhões de anos atrás, iniciou-se uma troca recíproca e aparentemente simétrica de famílias de mamíferos terrestres entre as Américas do Norte e do Sul e, embora o equilíbrio tenha sido de certa forma preservado, resultou em uma significativa mudança na composição da fauna sul-americana anteriormente isolada (Marshall et al., 1982 apud Wilson, 1988).
Dado o exemplo da ocorrência de espécies em extinção, o texto apresenta a longevidade natural das espécies. Isto é, a regularização da extinção de uma espécie em uma determinada linha temporal. Grandes episódios de extinção que foram recentemente estimados como recorrentes em intervalos de 26 milhões de anos (Raup e Sepkoski, 1984 apud Wilson, 1988). Nesse caso, o autor exemplifica as afirmações com fosseis em depósitos marinhos rasos e a diminuição gradativa de sua existência. Assim, afirma:
During Paleozoic and Mesozoic times, the average persistence of most fell between 1 and 10 million years: that is, 6 million for echinoderms, 1.9 million for graptolites, 1.2 to 2 million for ammonites.
E.O.Wilson, 1988, p. 8)
Uma tabela apresentada pelo Millennium Ecosystems Assessment, (2005, p. 8) denominada "Passado distante" refere-se à média de taxas de extinção calculadas a partir do registro fóssil. Tais taxas se baseiam em espécies extintas e possivelmente extintas. As extinções futuras são estimativas derivadas de modelos de áreas de espécies no qual se toma como base o nível de ameaça atual e das mudanças de habitat ocorridas aproximadamente entre 1970 e 2050.
Ressalta-se que toda a biodiversidade da terra foi e é drasticamente transformada pelas ações do Homem. A conversão do meio ambiente natural em potencialidades de recursos produtivos e de valor econômico acarretou em mudanças significativas nos ecossistemas mundiais, como a escassez de insumos, alterações climáticas e desequilíbrio da fauna e flora.
A quantidade de terras cultiváveis por exemplo tem se alargado de maneira significativa, principalmente durante os séculos XVII e XIX. De acordo com os dados fornecidos pelo Millennium Ecosystems Assessment, (2005), a capacidade de armazenamento de água quadriplicou entre 1960 e 2000 e a quantidade de água acumulada nas barragens são estimadas em três a seis vezes a quantidade de água que flui nos rios.
Outras transformações decorrentes do processo de utilização dos ecossistemas para consumo humano se referem a perda de 35% dos manguezais nas últimas décadas e 20% dos recifes de coral destruídos e outros 20% degradados. Florestas sul-tropicais também sofrem com a degradação e uso do solo para eventos produtivos.
De maneira geral, a biodiversidade em coexistência com a vida humana tem sido primordialmente um instrumento político, social e econômico, capaz de interligar essas três esferas de maneira que seja perceptível suas alterações na escala do tempo. A obra “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (2008) apresenta a vida humana em consonância com o meio ambiente natural de maneira que este esteja diretamente incorporado na fluidez da economia e do capital. Esse texto faz uma crítica construtiva em relação a abordagem da economia clássica desenvolvida por Adam Smith para resolver ou explicar os tempos produtivos atuais.
Dessa maneira, a crítica se estabelece no conceito do PIB como ferramenta lógica de medida e avaliação do crescimento de uma nação. Entretanto, a metodologia do PIB possui limitações, não cabendo a reflexão sobre dimensões fundamentais da riqueza nacional e do bem-estar como qualidade dos serviços de saúde, qualidade do sistema educacional e dos recursos naturais.
Em contrapartida ao conceito clássico da economia, os autores de “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (2008) trabalham a ideia de “Contabilidade Verde” de maneira ajustar a economia aos padrões da responsabilidade social e ambiental. O valor da natureza e da biodiversidade aparece nas formas de preocupação com o uso dos recursos naturais e a preservação de um meio ambiente saudável para as gerações futuras.
Na fonte desse pensamento, Christie et al (2006) analisa a introdução da economia e da participação cidadã como parte integrante de gestão de políticas e orçamentos para biodiversidade, podendo se beneficiar de informações sobre o valor econômico de diferentes ações voltadas à proteção da biodiversidade, e também sobre quais aspectos da biodiversidade são mais valorizados pelas pessoas.
Importante ressaltar que a conservação ou degradação de um determinando ecossistema estão relacionadas a economia de um determinado local. Tendo como exemplo destacado no texto o ciclo vicioso da pobreza e da degradação ambiental no Haiti. Assim explica “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (2008):
Praticamente todo o país era, originalmente, coberto por florestas, mas hoje há menos de 3% de cobertura florestal remanescente. Como consequência, de 1950 a 1990, a quantidade de terra arável reduziu em mais de dois quintos devido à erosão do solo. Ao mesmo tempo, o desmatamento diminuiu a evaporação para a atmosfera no país, e a quantidade de chuva total em muitas localidades caiu em mais de 40%, reduzindo o fluxo de água e a capacidade de irrigação. (p. 25)
É inevitável não relacionar a vida dos seres humanos com os demais seres existentes no planeta. As diversas discussões e temáticas sobre biodiversidade ocorridas ao longo do tempo são justificadas pela condição de existência da vida humana em um habitat minimamente propício. Se a conservação da biodiversidade está relacionada ao modo e qualidade de viva de populações humanas, pode-se afirmar, com base no exemplo do Haiti, que os solos degradados impedem a produção e circulação econômica de alimentos e por consequência risco de fome entre outros são fatores preocupantes para a existência populacional nessa região. Nesse sentido, a biodiversidade não é algo inerente a ação humana, pois é parte interligada ao Homem e sofre alterações na medida em que seu uso é descontrolado ou severamente arriscado.
A valoração da natureza e a manutenção da biodiversidade, Millennium Ecosystems Assessment (2005) contribui diretamente para o bem-estar humano, incluindo segurança material para uma boa vida, saúde, boas relações sociais e liberdade de escolha e ação, por isso, deve ser tratada com seriedade e principalmente como recurso global. A urgência para se pensar planejamento sustentável advém de acordo com Wilson (1988) a partir de três circunstâncias.
Sendo a primeira como a quantidade explosiva de populações humanas acarretando uma acelerada taxa de degradação ambiental especialmente em países tropicais. Segundo, ao avanço da ciência e novos usos tecnológicos e por último, a extinção de grande parte da diversidade de espécies causadas pela degradação de habitats naturais.
Não obstante a respeito da conceptualização do valor da biodiversidade estão as teorias dos conservacionistas, sendo a “ herança naturalista, associada aos movimentos conservacionistas, valoriza o raro, o belo e o pouco habitual. ” (Araújo, 1988, p.6). Pois, nesse caso, o valor é atribuído ao raro, a escassez em termos geográficos ou não de uma espécie ou ecossistema. E em termos do capital, o que se é raro, consequentemente tem aumento em seu valor monetário.
Contempla-se nessa parte do texto, os métodos para avaliação da biodiversidade. Ainda que o autor de “The Current state of biological diversity” tenha relatado descrença aos taxonomistas para concluir pesquisas sobre a totalidade das milhões de espécies existentes e partes inexploradas do bioma tropical, algumas metodologias foram apresentadas na obra de Miguel Araújo (1988), como por exemplo a explicação sobre avaliação exclusiva e avaliação inclusiva.
Esses processos metodológicos utilizados para mensurar a realidade diversa nos territórios auxiliam no entendimento sobre o sistema da variabilidade biológica, utilizando-se por exemplo de algoritmos que procuraram quantificar factores biológicos considerados desejáveis ou indesejáveis. Além disso, diversos componentes categorizadores e quantitativos, como índices e taxas são atribuídos para facilitar a compreensão do vasto universo natural.
Nesse sentido, apresenta avaliações caracterizadas como inclusiva e exclusiva. Entretanto, afirma que métodos por mais estudados que sejam, não tem total conhecimento e precisão sobre o vasto campo de variedade biológica. Para Araújo (1988) as técnicas de classificação do ambiente biológico são necessárias devido, em especial, a vasta variedade de componentes e espécies. Assim nos diz:
Na medida em que é virtualmente impossível desenvolver um processo de avaliação para todas as espécies e variabilidade genética incorporada numa dada unidade territorial é necessário escolher os taxas que maior eficácia dêem ao processo de avaliação, i.e, aqueles que garantam um balanço entre a informação biológica que fornecerem e os custos associados à obtenção de informação. É igualmente importante garantir que os critérios e medidas utilizadas no processo de avaliação sejam informativas do objectivo pretendido (M. Araújo, 1988, p.14)
BIODIVERSIDADE E EXEMPLO DO BIOMA CAATINGA
Como exposto no início desse trabalho, para melhor ilustrar as características de um conjunto de ecossistemas de aspectos múltiplos, foi selecionado o bioma brasileiro denominado “Caatinga”. A partir da caracterização deste bioma, será proposto uma reflexão sobre o valor dessa comunidade biológica para a economia, desenvolvimento e sobrevivência do habitat, especialmente no nordeste brasileiro.
Assim como foi relatado na primeira parte desse trabalho, a biodiversidade está relacionada ao Homem e as implicações no modo de uso e preservação são diretamente ligadas a qualidade de vida da espécie humana, seja a partir de noções de distribuição de recursos ou modos de exploração e produção. Diante disso, é importante ressaltar que a Caatinga compõe uma longa extensão de terras no país e é fundamentalmente necessária para a economia local e nacional.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga ocupa uma área de cerca de 844.453 quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do território nacional. Engloba os estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Em conjunto com esses valores, vivem na região cerca de 27 milhões de pessoas dependentes dos recursos do bioma para sobreviver.
Abrangendo 10% do território nacional, a Caatinga possui uma predominância de tempo quente com poucas chuvas, onde as precipitações, quando ocorrem, se concentram durante verão (início do ano). Os solos apresentam pouca profundidade, pedregosos e vegetação rasteira com pouca retenção de água pelo solo. Todavia, se mantém rico em minerais essenciais para a vida natural. Clima seco e área semiárida a Caatinga é considerada um dos biomas mais ricos existentes no planeta.
Por se tratar de um conjunto de ecossistemas exclusivamente brasileiro, existem em torno de 318 espécies vegetais encontradas somente na Caatinga além das 930 já catalogadas. Como curiosidade linguística e cultural, o nome Caatinga em Tupi-guarani, significa “Floresta branca”, dadas as suas características arenosas e secas.
As alterações da natureza são aspectos naturais de um ciclo de vida biológico, como foi percebido em algumas bibliografias mencionadas. Isto é, por se tratar de um ciclo, a vida dos organismos possui uma longevidade, podendo ser regenerada ou transformada a partir de influências genéticas por exemplo. Todavia, com a interferência humana nos ecossistemas mundiais as taxas de alterações no meio ambiente vêm ocorrendo de maneira bastante acelerada.
O valor econômico atribuído a riqueza e variedade dos recursos naturais tornou a terra um dos pontos mais requisitados ao longo do processo de civilização da humanidade. A produção agrícola no Brasil ainda ocupa grande parte do território, onde a pecuária e o agronegócio imperam nas decisões político-econômicas da gestão do Estado-Nação. Essa característica implica em diversos fatores, que em um curto prazo e ineficiência de uma gestão sustentável, agravam para uma realidade de desmatamentos, distribuição desigual de produtos e bens, extinção de espécies, confusão climática, seca de rios e lagoas, poluição e consequentemente uma piora na qualidade de vida humana.
Cerca de 30% da matriz energética da região nordeste e parte do Estado de Minas Gerais é oriunda da vegetação nativa da Caatinga, que também fornece produtos florestais não madeireiros fundamentais na geração de emprego e renda da população, que inclui uma quantidade significativa de populações tradicionais como quilombolas e indígenas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a degradação ambiental do bioma gera um prejuízo de aproximadamente 1% do PIB, afetando significativamente 15 milhões de pessoas.
Por fim, a conservação e o uso sustentável dos biomas garantem à sociedade uma série de serviços ambientais, que afetam diretamente a vida das populações, como a qualidade de água e ar, o controle da fertilidade do solo e erosão, a polinização (vinculada aos modos de produtividade agrícola) e a crescente e desenfreada alteração climática com emanação de gases poluentes e carbono para a atmosfera, fortemente relacionados ao aquecimento global. No Bioma Caatinga, a garantia da manutenção e preservação da biodiversidade é fundamental, visto que grande parte das comunidades humanas lá existentes tem pouco acesso à água, estão em vulnerabilidade social e dependem diretamente de seus recursos. Seu valor social é sem dúvida, alto.
Falar de biodiversidade atualmente é centrar-se nas problemáticas que nos rondam cotidianamente. Face o exemplo da produção de alimentos, com usos de agrotóxicos e pesticidas. A demanda aflorada de alimentos e a maximização dos lucros do capital em paralelo a vantagem tecnológica, também trouxeram para a agricultura e pecuária tradicionais fatores prejudiciais para a saúde de todas as espécies, inclusive a humana. A reflexão que se propõe é avaliar as maneiras como as quais os planejamentos ambientais e gestão sustentável de produção e consumo de alimentos podem se torar parte de uma economia verde, capazes de assumir a responsabilidade com o meio ambiente natural, valorizando-o como indispensável para a sobrevivência.
Texto feito por: Paola Pessoa
Bibliografia utilizada
Araujo, M. (1998) "Avaliação da biodiversidade em conservação"
Christie et al (2006) "Valuing the diversity of biodiversity"Recurso
Millennium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C:
Wilson, E.O. (1988) "The current state of biological diversity" In Biodiversity.Recurso
TEEB (2014) A Economia dos ecossistemas e da biodiversidade.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caatinga: exclusivamente brasileira. Disponível em: http://mma.gov.br/estruturas/203/_arquivos/agenda_caatinga_203.pdf. Acesso em: 25 de outubro de 2019.
»KIILL, Lúcia Helena Piedade. Bioma Caatinga. Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/bioma_caatinga/arvore/CONT000g5twggzg02wx5ok01edq5s5yu159n.html. Acesso em: 25 de outubro de 2019.Embrapa
A primeira publicação do Blogue Ver o Verde baseia-se nas reflexões iniciais sobre Biodiversidade e suas implicações no mundo tal como conhecemos. Uma breve pesquisa na plataforma digital "Google" é capaz de definir resumidamente o conceito de Biodiversidade como a coexistência de diferentes espécies de seres vivos em um determinado espaço de tempo. Entretanto, a proposta desse texto é ir além do conceito genérico ao tratar o tema da Biodiversidade de modo científico e crítico, tendo como referências teóricas a bibliografia recomendada em "Tópico 1 | Subtema: Biodiversidade. Conceitos e valores".
Contudo, diante de um vasto campo de análise e conceptualização do que é biodiversidade, consistirá no texto alguns pressupostos julgados importantes e básicos para o entendimento inicial do tema, utilizando-se de um exemplo de comunidade biológica (bioma) exclusivamente brasileiro de nome “Caatinga” para melhor compreensão do assunto. Araújo, M. (1998) em nota introdutória destaca o espectro da abrangência do conceito de Biodiversidade atravessado por diversas correntes do pensamento e interpretações, mantendo a dificuldade de mensurar ou operacionalizar uma definição em consenso. O autor traz a contribuição de pensadores sobre o tema e destaca a presença do princípio “pseudocognitivo” trabalhado por (Williams, 1993) ao assumir que o conceito de biodiversidade é partilhado de maneira intuitiva. Percebida pelas discussões da geografia, biologia, ciências da natureza entre outros campos, o conceito de biodiversidade se torna cada vez mais amplo e de difícil tradução.
De acordo com Millennium Ecosystems Assessment (2005), biodiversidade se refere a diversidade em múltiplas escalas de organização biológica. Ou seja, a diferença entre genes, populações, espécies, e ecossistemas considerada também em escala geográfica, seja local, regional ou global. Nesse mesmo texto, são apresentadas outras definições complementares, tais como:
Biodiversity is the variability among living organisms from all sources, including terrestrial, marine, and other aquatic ecosystems and the ecological complexes of which they are part; this includes diversity within species, between species, and of ecosystems. ■ Biodiversity forms the foundation of the vast array of ecosystem services that critically contribute to human well-being. ■ Biodiversity is important in human-managed as well as natural ecosystems. ■ Decisions humans make that influence biodiversity affect the well-being of themselves and others. (Millennium Ecosystems Assessment, 2005, p. 18)
Dessa forma, na tradução das palavras para a língua portuguesa, pode-se apresentar o conceito de biodiversidade de acordo com a referido texto como a variabilidade entre organismos vivos de todas as fontes, incluindo os ecossistemas terrestres, marinhos, outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte, incluindo diversidade dentro das espécies; entre espécies e de ecossistemas. Nesse sentido, a biodiversidade é a base da vasta gama de serviços ecossistêmicos que contribuem criticamente para o bem-estar humano, sendo importante para a permanecia dos seres humanos e outras espécies.
A riqueza de um sistema ecológico e natural está justamente na variedade de espécies, tornando-as valiosas e principalmente passíveis de mutações para sobrevivência na medida em que ocorrem mudanças nos ecossistemas. Entretanto, Millennium Ecosystems Assessment, (2005) aborda o conceito de “homogeneização da biodiversidade”, que em linhas breves, apresenta a discussão sobre a difusão de espécies invasoras por todo o mundo representando uma perda da biodiversidade global ao inserir, espontaneamente ou não, espécies comuns de outros ecossistemas em ambientes diferentes, como por exemplo a erva-daninha, nome popularmente conhecido para designar plantas exóticas ou não naturais de determinando meio ambiente natural. .
Foi dado como exemplo no texto em questão, a introdução de uma planta invasora em um continente como a África. A consequência é o aumento da diversidade de espécies, existindo assim, mais espécies presentes nos ecossistemas. Porém, ao mesmo tempo que isso ocorre, a tendência é a diminuição da diversidade global dos ecossistemas, uma vez que muitas das espécies presentes na África se tornarão mais similares às outras em diferentes locais do planeta.
Nesse sentido, mudanças nos ecossistemas, com alteração de espécies e consequentemente um certo desequilibro inicial da balança ecológica, trazem influências para o bem-estar dos seres humanos no habitat. A homogeneização também possui caráter econômico e em certa medida produtivo a nível global, caracterizado por exemplo pela agricultura convencional, pescaria e reflorestamento em prol de um desenvolvimento de nação.
A biodiversidade não é um fenômeno passível de ser estático ou totalmente controlado. É importante destacar que a vida terrestre tem um histórico largo e complexo, desde sua formação até sua eterna transformação. De acordo com Wilson (1988) o conceito biológico de espécie foi um avanço teórico para a biologia moderna, conceitualmente caracterizada como uma população ou uma série de populações em que o fluxo gênico é livre e ocorre em condições naturais. Isso significa que, para algumas espécies não hibridas, “todos os indivíduos fisiologicamente competentes, em um determinado momento, são capazes de se reproduzir com todos os outros indivíduos do sexo oposto pertencentes. ” (Wilson, 1988, p. 5).
Diante de um espaço de tempo e de uma determinada geografia, as diferentes espécies passam por processos evolutivos. A variedade de espécies nos ecossistemas e cruzamentos de genes tornam ambientes altamente biodiversos. Tal diversidade de acordo com Wilson (1988) é bem mantida, apesar de episódios de extinção a cada dezena de milhões de anos. Há aproximadamente três milhões de anos atrás, iniciou-se uma troca recíproca e aparentemente simétrica de famílias de mamíferos terrestres entre as Américas do Norte e do Sul e, embora o equilíbrio tenha sido de certa forma preservado, resultou em uma significativa mudança na composição da fauna sul-americana anteriormente isolada (Marshall et al., 1982 apud Wilson, 1988).
Dado o exemplo da ocorrência de espécies em extinção, o texto apresenta a longevidade natural das espécies. Isto é, a regularização da extinção de uma espécie em uma determinada linha temporal. Grandes episódios de extinção que foram recentemente estimados como recorrentes em intervalos de 26 milhões de anos (Raup e Sepkoski, 1984 apud Wilson, 1988). Nesse caso, o autor exemplifica as afirmações com fosseis em depósitos marinhos rasos e a diminuição gradativa de sua existência. Assim, afirma:
During Paleozoic and Mesozoic times, the average persistence of most fell between 1 and 10 million years: that is, 6 million for echinoderms, 1.9 million for graptolites, 1.2 to 2 million for ammonites.
E.O.Wilson, 1988, p. 8)
Uma tabela apresentada pelo Millennium Ecosystems Assessment, (2005, p. 8) denominada "Passado distante" refere-se à média de taxas de extinção calculadas a partir do registro fóssil. Tais taxas se baseiam em espécies extintas e possivelmente extintas. As extinções futuras são estimativas derivadas de modelos de áreas de espécies no qual se toma como base o nível de ameaça atual e das mudanças de habitat ocorridas aproximadamente entre 1970 e 2050.
Ressalta-se que toda a biodiversidade da terra foi e é drasticamente transformada pelas ações do Homem. A conversão do meio ambiente natural em potencialidades de recursos produtivos e de valor econômico acarretou em mudanças significativas nos ecossistemas mundiais, como a escassez de insumos, alterações climáticas e desequilíbrio da fauna e flora.
A quantidade de terras cultiváveis por exemplo tem se alargado de maneira significativa, principalmente durante os séculos XVII e XIX. De acordo com os dados fornecidos pelo Millennium Ecosystems Assessment, (2005), a capacidade de armazenamento de água quadriplicou entre 1960 e 2000 e a quantidade de água acumulada nas barragens são estimadas em três a seis vezes a quantidade de água que flui nos rios.
Outras transformações decorrentes do processo de utilização dos ecossistemas para consumo humano se referem a perda de 35% dos manguezais nas últimas décadas e 20% dos recifes de coral destruídos e outros 20% degradados. Florestas sul-tropicais também sofrem com a degradação e uso do solo para eventos produtivos.
De maneira geral, a biodiversidade em coexistência com a vida humana tem sido primordialmente um instrumento político, social e econômico, capaz de interligar essas três esferas de maneira que seja perceptível suas alterações na escala do tempo. A obra “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (2008) apresenta a vida humana em consonância com o meio ambiente natural de maneira que este esteja diretamente incorporado na fluidez da economia e do capital. Esse texto faz uma crítica construtiva em relação a abordagem da economia clássica desenvolvida por Adam Smith para resolver ou explicar os tempos produtivos atuais.
Dessa maneira, a crítica se estabelece no conceito do PIB como ferramenta lógica de medida e avaliação do crescimento de uma nação. Entretanto, a metodologia do PIB possui limitações, não cabendo a reflexão sobre dimensões fundamentais da riqueza nacional e do bem-estar como qualidade dos serviços de saúde, qualidade do sistema educacional e dos recursos naturais.
Em contrapartida ao conceito clássico da economia, os autores de “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (2008) trabalham a ideia de “Contabilidade Verde” de maneira ajustar a economia aos padrões da responsabilidade social e ambiental. O valor da natureza e da biodiversidade aparece nas formas de preocupação com o uso dos recursos naturais e a preservação de um meio ambiente saudável para as gerações futuras.
Na fonte desse pensamento, Christie et al (2006) analisa a introdução da economia e da participação cidadã como parte integrante de gestão de políticas e orçamentos para biodiversidade, podendo se beneficiar de informações sobre o valor econômico de diferentes ações voltadas à proteção da biodiversidade, e também sobre quais aspectos da biodiversidade são mais valorizados pelas pessoas.
Importante ressaltar que a conservação ou degradação de um determinando ecossistema estão relacionadas a economia de um determinado local. Tendo como exemplo destacado no texto o ciclo vicioso da pobreza e da degradação ambiental no Haiti. Assim explica “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (2008):
Praticamente todo o país era, originalmente, coberto por florestas, mas hoje há menos de 3% de cobertura florestal remanescente. Como consequência, de 1950 a 1990, a quantidade de terra arável reduziu em mais de dois quintos devido à erosão do solo. Ao mesmo tempo, o desmatamento diminuiu a evaporação para a atmosfera no país, e a quantidade de chuva total em muitas localidades caiu em mais de 40%, reduzindo o fluxo de água e a capacidade de irrigação. (p. 25)
É inevitável não relacionar a vida dos seres humanos com os demais seres existentes no planeta. As diversas discussões e temáticas sobre biodiversidade ocorridas ao longo do tempo são justificadas pela condição de existência da vida humana em um habitat minimamente propício. Se a conservação da biodiversidade está relacionada ao modo e qualidade de viva de populações humanas, pode-se afirmar, com base no exemplo do Haiti, que os solos degradados impedem a produção e circulação econômica de alimentos e por consequência risco de fome entre outros são fatores preocupantes para a existência populacional nessa região. Nesse sentido, a biodiversidade não é algo inerente a ação humana, pois é parte interligada ao Homem e sofre alterações na medida em que seu uso é descontrolado ou severamente arriscado.
A valoração da natureza e a manutenção da biodiversidade, Millennium Ecosystems Assessment (2005) contribui diretamente para o bem-estar humano, incluindo segurança material para uma boa vida, saúde, boas relações sociais e liberdade de escolha e ação, por isso, deve ser tratada com seriedade e principalmente como recurso global. A urgência para se pensar planejamento sustentável advém de acordo com Wilson (1988) a partir de três circunstâncias.
Sendo a primeira como a quantidade explosiva de populações humanas acarretando uma acelerada taxa de degradação ambiental especialmente em países tropicais. Segundo, ao avanço da ciência e novos usos tecnológicos e por último, a extinção de grande parte da diversidade de espécies causadas pela degradação de habitats naturais.
Não obstante a respeito da conceptualização do valor da biodiversidade estão as teorias dos conservacionistas, sendo a “ herança naturalista, associada aos movimentos conservacionistas, valoriza o raro, o belo e o pouco habitual. ” (Araújo, 1988, p.6). Pois, nesse caso, o valor é atribuído ao raro, a escassez em termos geográficos ou não de uma espécie ou ecossistema. E em termos do capital, o que se é raro, consequentemente tem aumento em seu valor monetário.
Contempla-se nessa parte do texto, os métodos para avaliação da biodiversidade. Ainda que o autor de “The Current state of biological diversity” tenha relatado descrença aos taxonomistas para concluir pesquisas sobre a totalidade das milhões de espécies existentes e partes inexploradas do bioma tropical, algumas metodologias foram apresentadas na obra de Miguel Araújo (1988), como por exemplo a explicação sobre avaliação exclusiva e avaliação inclusiva.
Esses processos metodológicos utilizados para mensurar a realidade diversa nos territórios auxiliam no entendimento sobre o sistema da variabilidade biológica, utilizando-se por exemplo de algoritmos que procuraram quantificar factores biológicos considerados desejáveis ou indesejáveis. Além disso, diversos componentes categorizadores e quantitativos, como índices e taxas são atribuídos para facilitar a compreensão do vasto universo natural.
Nesse sentido, apresenta avaliações caracterizadas como inclusiva e exclusiva. Entretanto, afirma que métodos por mais estudados que sejam, não tem total conhecimento e precisão sobre o vasto campo de variedade biológica. Para Araújo (1988) as técnicas de classificação do ambiente biológico são necessárias devido, em especial, a vasta variedade de componentes e espécies. Assim nos diz:
Na medida em que é virtualmente impossível desenvolver um processo de avaliação para todas as espécies e variabilidade genética incorporada numa dada unidade territorial é necessário escolher os taxas que maior eficácia dêem ao processo de avaliação, i.e, aqueles que garantam um balanço entre a informação biológica que fornecerem e os custos associados à obtenção de informação. É igualmente importante garantir que os critérios e medidas utilizadas no processo de avaliação sejam informativas do objectivo pretendido (M. Araújo, 1988, p.14)
BIODIVERSIDADE E EXEMPLO DO BIOMA CAATINGA
Como exposto no início desse trabalho, para melhor ilustrar as características de um conjunto de ecossistemas de aspectos múltiplos, foi selecionado o bioma brasileiro denominado “Caatinga”. A partir da caracterização deste bioma, será proposto uma reflexão sobre o valor dessa comunidade biológica para a economia, desenvolvimento e sobrevivência do habitat, especialmente no nordeste brasileiro.
Assim como foi relatado na primeira parte desse trabalho, a biodiversidade está relacionada ao Homem e as implicações no modo de uso e preservação são diretamente ligadas a qualidade de vida da espécie humana, seja a partir de noções de distribuição de recursos ou modos de exploração e produção. Diante disso, é importante ressaltar que a Caatinga compõe uma longa extensão de terras no país e é fundamentalmente necessária para a economia local e nacional.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga ocupa uma área de cerca de 844.453 quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do território nacional. Engloba os estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Em conjunto com esses valores, vivem na região cerca de 27 milhões de pessoas dependentes dos recursos do bioma para sobreviver.
Abrangendo 10% do território nacional, a Caatinga possui uma predominância de tempo quente com poucas chuvas, onde as precipitações, quando ocorrem, se concentram durante verão (início do ano). Os solos apresentam pouca profundidade, pedregosos e vegetação rasteira com pouca retenção de água pelo solo. Todavia, se mantém rico em minerais essenciais para a vida natural. Clima seco e área semiárida a Caatinga é considerada um dos biomas mais ricos existentes no planeta.
Por se tratar de um conjunto de ecossistemas exclusivamente brasileiro, existem em torno de 318 espécies vegetais encontradas somente na Caatinga além das 930 já catalogadas. Como curiosidade linguística e cultural, o nome Caatinga em Tupi-guarani, significa “Floresta branca”, dadas as suas características arenosas e secas.
As alterações da natureza são aspectos naturais de um ciclo de vida biológico, como foi percebido em algumas bibliografias mencionadas. Isto é, por se tratar de um ciclo, a vida dos organismos possui uma longevidade, podendo ser regenerada ou transformada a partir de influências genéticas por exemplo. Todavia, com a interferência humana nos ecossistemas mundiais as taxas de alterações no meio ambiente vêm ocorrendo de maneira bastante acelerada.
O valor econômico atribuído a riqueza e variedade dos recursos naturais tornou a terra um dos pontos mais requisitados ao longo do processo de civilização da humanidade. A produção agrícola no Brasil ainda ocupa grande parte do território, onde a pecuária e o agronegócio imperam nas decisões político-econômicas da gestão do Estado-Nação. Essa característica implica em diversos fatores, que em um curto prazo e ineficiência de uma gestão sustentável, agravam para uma realidade de desmatamentos, distribuição desigual de produtos e bens, extinção de espécies, confusão climática, seca de rios e lagoas, poluição e consequentemente uma piora na qualidade de vida humana.
Cerca de 30% da matriz energética da região nordeste e parte do Estado de Minas Gerais é oriunda da vegetação nativa da Caatinga, que também fornece produtos florestais não madeireiros fundamentais na geração de emprego e renda da população, que inclui uma quantidade significativa de populações tradicionais como quilombolas e indígenas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a degradação ambiental do bioma gera um prejuízo de aproximadamente 1% do PIB, afetando significativamente 15 milhões de pessoas.
Por fim, a conservação e o uso sustentável dos biomas garantem à sociedade uma série de serviços ambientais, que afetam diretamente a vida das populações, como a qualidade de água e ar, o controle da fertilidade do solo e erosão, a polinização (vinculada aos modos de produtividade agrícola) e a crescente e desenfreada alteração climática com emanação de gases poluentes e carbono para a atmosfera, fortemente relacionados ao aquecimento global. No Bioma Caatinga, a garantia da manutenção e preservação da biodiversidade é fundamental, visto que grande parte das comunidades humanas lá existentes tem pouco acesso à água, estão em vulnerabilidade social e dependem diretamente de seus recursos. Seu valor social é sem dúvida, alto.
Falar de biodiversidade atualmente é centrar-se nas problemáticas que nos rondam cotidianamente. Face o exemplo da produção de alimentos, com usos de agrotóxicos e pesticidas. A demanda aflorada de alimentos e a maximização dos lucros do capital em paralelo a vantagem tecnológica, também trouxeram para a agricultura e pecuária tradicionais fatores prejudiciais para a saúde de todas as espécies, inclusive a humana. A reflexão que se propõe é avaliar as maneiras como as quais os planejamentos ambientais e gestão sustentável de produção e consumo de alimentos podem se torar parte de uma economia verde, capazes de assumir a responsabilidade com o meio ambiente natural, valorizando-o como indispensável para a sobrevivência.
Texto feito por: Paola Pessoa
Bibliografia utilizada
Araujo, M. (1998) "Avaliação da biodiversidade em conservação"
Christie et al (2006) "Valuing the diversity of biodiversity"Recurso
Millennium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C:
Wilson, E.O. (1988) "The current state of biological diversity" In Biodiversity.Recurso
TEEB (2014) A Economia dos ecossistemas e da biodiversidade.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caatinga: exclusivamente brasileira. Disponível em: http://mma.gov.br/estruturas/203/_arquivos/agenda_caatinga_203.pdf. Acesso em: 25 de outubro de 2019.
»KIILL, Lúcia Helena Piedade. Bioma Caatinga. Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/bioma_caatinga/arvore/CONT000g5twggzg02wx5ok01edq5s5yu159n.html. Acesso em: 25 de outubro de 2019.Embrapa
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| Paisagem Caatinga (Foto retirada da plataforma Google) |
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| Animais do bioma Caatinga (Foto retirada da plataforma Google) |
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| Paisagem Caatinga (Foto retirada da plataforma Google) |



Olá,
ResponderExcluirMuito interessante, esta reflexão. Gostei particularmente de do exemplo do BIOMA CAATINGA.
O Brasil é um país continente com uma importância enorme para a biodiversidade mundial. Penso que lhe falta uma programa abrangente e integrado de avaliação da sua biodiversidade e politicas de conservação, e sobretudo de uma estratégia para a gestão dos seus recursos naturais. É com alguma infelicidade que assisto ao actual governo brasileiro limitar e deslegitimar as politicas de ambiente. Espero que isso não resulte em danos irreversíveis para todos nós...
Interessante artigo... e excelente escolha a apresentação do bioma Caatinga, que sem dúvida desperta a vontade de saber mais sobre a forma como solos que apresentam pouca profundidade, pedregosos, com pouca retenção de água pelo solo, e vegetação rasteira, conseguem ainda assim ser um dos biomas mais ricos do planeta. Parabéns!
ResponderExcluirNo entanto, relativamente à "homogeneização da biodiversidade", a erva-daninha não é um bom exemplo. Isto porque o nome "erva-daninha" é atribuído a qualquer planta que nasça espontaneamente num determinado terreno cultivado, e que não pertença às espécies cultivadas. Tal deve-se apenas a esse facto, devendo-se a atribuição do termo "daninha" ao facto de normalmente se considerar que estas possam ter um efeito competitivo e portanto que possam reduzir a produção das espécies cultivadas, o que nem sempre é verdade. Além disso, muitas das plantas às quais é dado o nome de "erva-daninha" são plantas autóctones, com grande importância nos ecossistemas. Esta importância é no entanto muitas vezes ignorada, levando à perda de biodiversidade e à degradação dos ecossistemas.
É importante valorizar as plantas a que vulgarmente se chama "ervas-daninhas", pois além do seu valor intrínseco, elas podem ser, na verdade, muito importantes para toda uma comunidade de seres, entre eles, nós, seres humanos!
Cumprimentos,
Carla Sofia Duarte
Cara Carla, boa tarde!
ExcluirObrigada pelo seu feedback quanto a explicação da "erva-daninha". Pela leitura da bibliografia recomendada ( MA. 2005) fiz a tradução da palavra como erva-daninha, mas sem me atentar que havia detalhes entre "erva-daninha" e "daninha". Entretanto, pude perceber nos meus trabalhos etnográficos em zonas rurais e produção agrícola que esse termo (erva-daninha) é muito utilizado negativamente população local para expor problemas na safra, plantio e nas demais produções de orgânicos.
Cumprimentos,
Paola Pessoa
Paola, gostei muito.
ResponderExcluirApresenta um trabalho muito bem estruturado, em que conteúdo aprofunda a temática dos conceitos e valores da biodiversidade com (i) uma muito boa contextualização da temática "conceitos e valores da bodiversidade" e (ii) uma reflexão rica no que toca o interessante bioma caatinga.
Para além desta apreciação, o meu único comentário duplica aquele da colega Carla Duarte, quando esta se refere, e bem, ao conceito de "erva-daninha".
Continuação de bom trabalho, Paula Nicolau
Cara colega,
ResponderExcluirAprendi imenso e o exemplo que apresenta , Bioma caatinga, é excelente. Também fico um pouco aflita com a expressão "erva-daninha" pela sua conotação negativa, no entanto enquanto artista tenho uma bela colecção de desenhos com esse nome com o objectivo de desmitificar esse nome :)