3º post - Geodiversidade


O tema proposto para reflexão no terceiro post do blogue Ver o Ver é referente ao conceito de Geodiversidade, não tanto conhecido ou comentado como o caso da biodiversidade, mas de igual valor e importância. Assim como a biodiversidade, o termo geodiversidade tem liderado múltiplas discussões e pensamentos a respeito de sua definição, em particular especialistas do continente europeu e Austrália, Brilha (2005) sendo um conceito relativamente recente de acordo com Gray (2004), tendo surgido durante os anos 90 na Conferência de Malvern sobre Conservação Geológica e Paisagística, realizada no Reino Unido.
Diante das variadas tentativas de definição do termo geodiversidade, algumas teorias limitam explicá-los como um conjunto de rochas, minerais e fosseis, enquanto outras abrangem o conceito e integram as comunidades de seres vivos na definição. Entretanto, a definição proposta pela Royal Society Nature Convervation do Reino Unido e assumida pelo autor José Brilha em Patrimônio Geológico e Conservação (2005) é caracterizada por abranger tanto os aspectos bióticos quanto abióticos. Assim descreve-se como “ variedade de ambientes geológicos, fenômenos e processos activos que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra. ” (Brilha, 2005, p 17)
De acordo com Gray (2004), geólogos e geomorfologias começaram a usar o termo "geodiversidade" na década de 90 para descrever a variedade dentro da natureza abiótica, dando ênfase a biodiversidade e conservação da vida selvagem. Entretanto, o autor se atenta para as nuances entre as definições de geodiversidade e geoconservação que acabam por vezes se misturando entre conceitos. Dessa forma, geodiversidade atende como sendo a “qualidade que estamos tentando conservar” e geoconservação “é o esforço de tentar conservá-la. ” (p. 6)
A importância da geodiversidade está atrelada ao conteúdo de sua formação minerais e de nutrientes que são a base para a sustentação da vida dos ecossistemas. Pois ressalta-se que os bens minerais têm sido intensivamente utilizados para o bem-estar da espécie humana, manutenção e sua utilização vista nas nossas vidas cotidianas, nas moradias, veículos, utilitários domésticos, materiais de comunicação, etc.
Na realidade brasileira, gostaria de destacar o patrimônio geológico Aquífero Guarani, sendo um corpo hídrico subterrâneo e transfronteiriço que abrange parte dos territórios da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, ele possui um volume acumulado de 37.000 kme área estimada de 1.087.000 Km2. Na parte brasileira estende-se a oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Além disso, tem características físicas, geológicas, químicas e hidráulicas específicas e complexas as quais foram estudadas pelo Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do SAG.
O aquífero possui importância ambiental, social e econômica, sendo responsável por grande parte do abastecimento de água e colaborando para manter o equilíbrio entre a quantidade de água subterrânea e superficial do planeta. O Sistema Aquífero Guarani representa a a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta e ocupa uma área de 1,2 milhões de km2. Recebeu este nome em 1996, pois a região onde se encontra era parte do território onde viviam índios guaranis. Cerca de 200 cidades brasileiras e 15 milhões de habitantes utilizando sua água para abastecimento.



Estrutura de um aquífero - camadas geológicas. Google 2019 


De acordo com a reportagem no site Toda Matéria, o Aquífero Guarani é constituído de “sedimentos arenosos (arenito) e lavas de basalto, foi formado na Era Mesozoica (241 milhões a 65 milhões de anos atrás). Num aquífero, rocha e água forma parte da mesma estrutura. ” Sendo sua formação geológica caracterizada por rochas porosas e impermeáveis, o que contribui para a absorção e armazenamento de captação de água da chuva.
Todavia, mesmo evidenciada e assumida a importância do aquífero, este tem sido alvo de preocupações ambientais do ponto de vista de sua conservação, uma vez que a poluição no local tem sido alguns dos maiores enfrentamentos dos ambientalistas para a preservação. Dessa maneira, a existência da urbanização, expansão urbana e industrial em localidades próximas ao aquífero contribuem para a contaminação do solo e por consequência a qualidade da água. O grande cultivo de Eucaliptos também contribuiu para o prejuízo, pois deixam o solo impermeável e dificultam a passagem da água da chuva.
Diante das implicações de contaminação do solo e processo de degradação do aquífero, estudos e acordos entre os países responsáveis estão em busca de soluções ou de maneiras a minimizar os efeitos negativos da ação humana. O “Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani” (2003-2009) é um exemplo de tentativa para sua preservação e manutenção. Apesar de rumores quanto sua privatização, o aquífero permanece sendo estatal, sob responsabilidade dos governos federais enquanto responsáveis por preservar esse grande e importante  patrimônio ambiental geológico.

Mapa de Localização do Aquífero Guarani. Google 2019 

Texto: Paola Pessoa 


Bibliografia utilizada
AMBIENTE, Ministério (n,d). Disponível em : https://www.mma.gov.br/informma/item/8617-aquifero-guarani. Acesso em 15 de novembro de 2019 
BEZERRA, J, (2019) Aquífero Guarani. Disponivél em:  https://www.todamateria.com.br/aquifero-guarani/. Acesso em: 15 de novembro de 2019




Comentários

  1. Mais uma vez, um exemplo interessante vindo do Brasil. De facto, no Brasil, é sempre tudo em grande :)

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    1. Olá Susana, obrigada pelo seu comentário. De fato o Brasil é muito rico em termos da biodiversidade e geodiversidade, apesar de que sua imensidão também se estende aos desafios contínuos pela preservação e contra a degradação.

      Att,

      Paola

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